O ano de 2005 marca o arranque da holding de seguros Millenniumbcp Fortis, "joint-venture" entre o Millennium bcp e a Fortis assegurando a intervenção nos seguros vida, não vida e gestão de fundos de pensões, através das empresas: Ocidental – Companhia Portuguesa de Seguros de Vida, S.A., Ocidental – Companhia Portuguesa de Seguros S.A., Médis - Companhia Portuguesa de Seguros de Saúde, S.A. e Pensõesgere – Sociedade Gestora de Fundos de Pensões, S.A..
Envolvente competitiva
Apesar do contexto macroeconómico pouco favorável, a produção de seguros apresentou, em 2005, um perfil evolutivo superior ao registado no ano anterior, com o segmento Vida a revelar mais uma vez um dinamismo francamente superior ao segmento Não Vida. Em termos globais, as seguradoras que operam no mercado português registaram, em 2005, um volume de prémios na ordem dos 13,4 mil milhões de euros, o que representa um acréscimo de 28,3% face ao ano anterior, crescimento significativamente superior face aos 10,7% observados em 2004.
O ramo Vida foi o grande motor deste crescimento, com um aumento de prémios de 46,2%, impulsionado pela comercialização massiva de produtos de capitalização no âmbito de operações de bancassurance, no que foi acompanhado pelo incremento das contribuições efectuadas para Planos de Poupança Reforma/Educação (PPR/E), tanto mais assinalável por se verificar num contexto de eliminação das deduções fiscais associadas às contribuições efectuadas neste tipo de produtos. O segmento Vida, representa já 68,0% do total dos prémios do mercado, que compara com os 59,7% de 2004. No ramo Não Vida, o crescimento global da produção de apenas 1,9% resulta na prática num crescimento negativo deste segmento, atendendo à taxa de inflação esperada para 2005 (na ordem dos 2,3%). Com efeito, a evolução pouco favorável do ramo Automóvel (crescimento de 1,6%) e a estagnação do ramo Acidentes de Trabalho (crescimento de 0,7%), não foram compensadas pelo maior dinamismo evidenciado pelos ramos Doença e Multiriscos Habitação, crescimentos de 7,8% e 6,8%, respectivamente.
A estrutura dos canais de distribuição seguiu, em 2005, a tendência que vem sendo observada nos últimos anos, em que o canal de distribuição bancário assume um peso relativo cada vez maior face aos canais tradicionais, facto que está intimamente ligado ao significativo crescimento dos seguros de capitalização e PPR/E, produtos em que as redes bancárias se apresentam como um veículo privilegiado de vendas.
A recuperação dos níveis de rentabilidade do sector segurador, iniciada em 2003, teve continuidade no exercício de 2005, para o que contribuíram fundamentalmente: a excelente performance comercial do Ramo Vida associada a uma melhoria do
comportamento registado nos mercados de capitais; a redução de sinistralidade nos ramos Não Vida, com particular incidência no ramo Automóvel; e ainda, o prosseguimento dos programas de contenção de custos operacionais implementados pela generalidade das seguradoras.
Actividade Global da Millenniumbcp Fortis
Durante o ano de 2005, a Millenniumbcp Fortis posicionou-se como o maior grupo segurador português no negócio de bancassurance, líder nas vendas de seguros do ramo Vida, com uma quota de mercado neste segmento de 21,9% (19,5% em 2004), para o que contribuiu o bom desempenho comercial materializado num crescimento global dos prémios de seguro directo de 59,2%, excluindo o efeito das anulações extraordinárias referentes a exercícios anteriores.
O ramo Vida registou um crescimento de 65,5% dos prémios de seguro directo, em resultado do sucesso da operação de bancassurance apoiada na rede de balcões do Millenniumbcp, que conduziu a incrementos sempre superiores ao mercado em todas as linhas de negócio. Salienta-se o sucesso obtido na comercialização de Produtos de Capitalização (+85,0%) e Planos de Poupança Reforma/Educação (+19,9%), bem como o reforço da liderança da quota de mercado nos produtos de Risco, a qual se fixou em 20,9% (19,0% em 2004).
No ramo Não Vida, a Millenniumbcp Fortis apresentou um acréscimo dos prémios de seguro directo de 10,0%, excluindo o efeito das anulações extraordinárias referentes a exercícios anteriores, cinco vezes superior ao observado pelo mercado no mesmo período, destacando-se a boa performance comercial obtida nos ramos Acidentes de Trabalho, Multiriscos Habitação e Automóvel.
Em 2005, o resultado líquido consolidado do exercício, após ajustes de consolidação, IFRS e antes do VOBA ("value of business acquired"), ascendeu a 85,7 milhões de euros, reflectindo o bom desempenho comercial acima evidenciado, a melhoria da rentabilidade técnica e dos investimentos financeiros afectos ao negócio.
Em Vida, o significativo crescimento dos prémios em todas as linhas de negócio, o aumento das provisões matemáticas em 29,8 p.p. e a diminuição do rácio de despesas que se fixou em 0,79%, em linha com as melhores práticas internacionais, reflectiu-se positivamente na evolução da margem técnica deste segmento que cresceu 17,5%, reforçando os produtos de risco o seu contributo para a margem técnica com cerca de 62,9% (56,6% em 2004).
Em Não Vida, os progressos obtidos nas taxas de sinistralidade (43,7% em 2005, que compara positivamente com os 54,0% registados em 2004, antes de imputação de custos administrativos) como resultado de uma cuidada política de aceitação de riscos, aliada a uma crescente contenção nos custos de exploração, deram um contributo indispensável
para a melhoria do resultado líquido. O rácio combinado de Não Vida fixou-se em 74,5%.
A solidez financeira proporcionada pela estrutura de capitais e de resultados, encontra-se expressa na obtenção de um rácio de solvência de 160,2%, e na notação de "A+" atribuída pela agência de rating Standard & Poor’s.